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O despertar das múltiplas inteligências por meio da música e da poesia

Estratégias de ensino-aprendizagem

O despertar das múltiplas inteligências representa uma incumbência destinada ao educador. Assim, utilizando-se da música e da poesia os resultados poderão ser benéficos.
Despertando as múltiplas inteligências por meio da música e da poesia
Despertando as múltiplas inteligências por meio da música e da poesia
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Heterogeneidade no espaço da sala de aula. Tal afirmativa conduz a discussões que, diga-se de passagem, produtivas por sinal, cujo consenso parece se antecipar antes mesmo que uma palavra seja proferida: ela realmente existe. Sim, ela existe, existe porque o ser humano se caracteriza como alguém ímpar e, assim se concebendo, apresenta-se dotado de distintas particularidades.

Nesse sentido, na tentativa de ilustrar o discurso em questão, delimitaremos alguns espaços onde nele podemos encontrar diversos perfis que, à medida que a convivência vai se aprofundando, as características, de forma bem simultânea, também vão se deixando ser vistas. Assim, há “gostos” para tudo: aquele que se interage com toda a turma, o que se mostra apático, o que está a todo o momento se fazendo notado, o que aparenta ter maior habilidade para uma determinada área do conhecimento que para outra, enfim, muitas são as posturas que vão se definindo e muitas vezes se redefinindo mediante a estada no ambiente escolar.   

Entre esse público heterogêneo, há espaço para grandes, preciosas e riquíssimas descobertas: são as múltiplas inteligências que, mesmo o espaço não sendo assim tão propício a desenvolvê-las, há sempre alguns caminhos que conduzem o educador a identificar essa ou aquela joia preciosa. Lapidá-la então é questão de oportunidades e estratégias certeiras para que a estrela, ainda que opaca, passe a reluzir de forma esplendorosa.

Partindo desse pressuposto, caríssimo (a) educador (a), é que nos propomos a levantar a presente discussão, cujo intuito é levar até você algumas propostas que porventura proporcionarão o encontro entre esse grande artista e as múltiplas habilidades de que ele dispõe, embora AINDA não tenham sido exploradas. Assim, como estratégia metodológica, sugerimos o trabalho com a música e a poesia, cujo propósito é o de enfatizar acerca da relação que se estabelece entre ambas no que refere à estrutura, ao caráter predominantemente subjetivo e, sobretudo, à questão da intertextualidade. Acerca desse último aspecto vale dizer que muitas são as canções que se originaram de belíssimos poemas, com as duas que elegemos para aplicar nossas sugestivas considerações. Uma delas é de autoria de Renato Russo, ex- líder da banda de rock dos anos 80 “Legião Urbana”, intitulada Monte Castelo:

Ainda que eu falasse
A língua dos homens
E falasse a língua dos anjos,
Sem amor eu nada seria.

É só o amor! É só o amor
Que conhece o que é verdade.
O amor é bom, não quer o mal,
Não sente inveja ou se envaidece.

O amor é o fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer.

Ainda que eu falasse
A língua dos homens
E falasse a língua dos anjos
Sem amor eu nada seria.

É um não querer mais que bem querer;
É solitário andar por entre a gente;
É um não contentar-se de contente;
É cuidar que se ganha em se perder.

É um estar-se preso por vontade;
É servir a quem vence, o vencedor;
É um ter com quem nos mata a lealdade.
Tão contrário a si é o mesmo amor.

Estou acordado e todos dormem.
Todos dormem. Todos dormem.
Agora vejo em parte,
Mas então veremos face a face.

É só o amor! É só o amor
Que conhece o que é verdade.

Ainda que eu falasse
A língua dos homens
E falasse a língua dos anjos,
Sem amor eu nada seria.

Após constatá-la, vamos ao poema de Camões, intitulado Amor é fogo que arde sem se ver:

Amor é fogo que arde sem se ver,
é ferida que dói, e não se sente;
é um contentamento descontente,
é dor que desatina sem doer.

É um não querer mais que bem querer;
é um andar solitário entre a gente;
é nunca contentar-se de contente;
é um cuidar que ganha em se perder.

É querer estar preso por vontade;
é servir a quem vence, o vencedor;
é ter com quem nos mata, lealdade.

Mas como causar pode seu favor
nos corações humanos amizade,
se tão contrário a si é o mesmo Amor?

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Como segunda sugestão, temos o poema Desejo, cuja autoria é do poeta francês Vitor Hugo (ainda que somente fragmentos em virtude da extensão do poema), intertextualizado mediante a música de Roberto Frejat, intitulada Amor pra recomeçar:

Eu te desejo não parar tão cedo
pois toda idade tem prazer e medo
e com os que erram feio e bastante
que você consiga ser tolerante

Quando você ficar triste
que seja por um dia e não o ano inteiro
e que você descubra que rir é bom
mas que rir de tudo é desespero

Desejo que você tenha a quem amar
e quando estiver bem cansado
ainda exista amor pra recomeçar,
pra recomeçar

Eu te desejo muitos amigos
mas que em um você possa confiar
e que tenha até inimigos
pra você não deixar de duvidar

Quando você ficar triste
que seja por um dia e não o ano inteiro
e que você descubra que rir é bom
mas que rir de tudo é desespero

Desejo que você tenha a quem amar…

Desejo que você ganhe dinheiro
pois é preciso viver também
e que você diga a ele pelo menos uma vez
quem é mesmo o dono de quem

Desejo que você tenha a quem amar…

Eis os fragmentos:

Desejo primeiro que você ame,

E que amando, também seja amado.

E que se não for, seja breve em esquecer.

E que esquecendo, não guarde mágoa.

Desejo, pois, que não seja assim,

Mas se for, saiba ser sem desesperar.

Desejo também que tenha amigos,

Que mesmo maus e inconsequentes,

Sejam corajosos e fiéis,

E que pelo menos num deles

Você possa confiar sem duvidar.

E porque a vida é assim,

Desejo ainda que você tenha inimigos.

Nem muitos, nem poucos,

Mas na medida exata para que, algumas vezes,

Você se interpele a respeito

De suas próprias certezas.

E que entre eles, haja pelo menos um que seja justo,

Para que você não se sinta demasiado seguro.

Desejo depois que você seja útil,

Mas não insubstituível.

E que nos maus momentos,

Quando não restar mais nada,

Essa utilidade seja suficiente para manter você de pé.

Desejo ainda que você seja tolerante,

Não com os que erram pouco, porque isso é fácil,

Mas com os que erram muito e irremediavelmente,

E que fazendo bom uso dessa tolerância,

Você sirva de exemplo aos outros.
[...]

Ensaios e mais ensaios, tudo devidamente planejado para que no grande dia nada possa dar errado. O grande dia? Sim, o esperado sarau que você poderá sugerir à equipe multidisciplinar, pois sem ajuda de outras pessoas tudo se torna ainda mais difícil, não é verdade?

Nesse grande dia, um contingente da sala poderá ficar responsável para declamar o poema, bem com preparar alguns slides abordando acerca da vida do poeta, período a que pertenceu, enfim. Outro grupo se incumbirá de cantar junto com o artista, é aquele mesmo que você descobrir em meio a tantos outros. Um artista que dispõe da inteligência musical, por excelência, cuja função será a de comandar o instrumento, juntamente com o resto, os quais se farão vistos por se incorporar, ao menos por um dia, na figura de Frejat e do inesquecível Renato Russo.

Holofotes, com certeza, não faltarão!!


Por Vânia Duarte
Graduada em Letras

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