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Gêneros ou tipologias? – repensando práticas didáticas

Estratégias de ensino-aprendizagem

O trabalho com as tipologias textuais favorece o ensino e, consequentemente, a aplicação dos diversos gêneros em sala de aula.
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Complexa, tortuosa, surpreendente (por que não assim dizer?)... Eis essas e muitas atribuições que perfeitamente se encaixam à carreira docente, concebida de uma forma geral, isto é, sem fazermos menção a esta ou aquela disciplina. Agora, ousando um pouco mais, delimitaremos a nossa fala aos professores de Língua Portuguesa, os quais, quase que na totalidade, tornam-se “donos” de uma frente que, para eles, chega a ser mais que um desafio: um obstáculo, uma barreira a ser vencida e, quem sabe ao final de tudo, um estigma a ser superado.

A frente a que estamos nos referindo caracteriza-se pela produção textual. Sim, produção textual, ou seja, aquela cuja proposta se reserva ao direito de avaliar a competência linguística do aprendiz, justamente no intento de checar a competência dele enquanto ser que se encontra apto a discutir acerca das questões que o norteiam, dos pontos pertinentes ao mundo que o cerca. No entanto, a competência linguística por si só parece não dar conta das reais, das verdadeiras intenções, pois nesse ínterim entra em cena outra competência: a leitura de mundo, a qual, infelizmente, parece estar cada vez mais em extinção.

Caro (a) educador (a), tal discussão, de tão pertinente que se apresenta, parece ganhar espaço para um tempo maior de posicionamentos. Assim, iremos delimitar nossos propósitos, reservando-nos ao direito de tocarmos num ponto estratégico: o ensino dos diversos gêneros, tendo em vista que essa diversidade tem raízes nas “profundezas” relacionadas às tipologias textuais, visto que representam o esteio, a base de sustentação para que as diversas situações sociocomunicativas (materializadas na condição de gêneros) realmente se efetivem. Dessa forma, livros, manuais, enfim, tudo que diz respeito a práticas didáticas costuma nortear o trabalho do educador, sem dúvida, mesmo porque essa diversidade de situações faz parte do dia a dia dos alunos, isto é, definem-se como “palpáveis” em termos de constatação. Mas, pensemos um pouco mais adiante: e no momento da produção? Estariam eles aptos a reconhecer e, sobretudo, aplicar? Aplicar... falando assim, parece ficar um tanto quanto vago. Entretanto, aplicar no sentido de (re) definir a tipologia elencada, tendo como propósito a intenção comunicativa a que o emissor se dispôs mediante uma dada situação de comunicação.

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Nesse sentido, até mesmo tentando sermos um pouco mais claros, em nada resultará o fato de, numa aula de Redação, propormos uma carta argumentativa, um artigo de opinião, uma crônica, uma receita de bolo (se for o caso), um conto, já não falando sobre tantas outras, se o aluno não sabe se este ou aquele gênero, ora requisitado, demarca-se pela intenção de narrar (contar algo), de expor, de instruir, persuadir, enfim... Quando tais pressupostos não se fazem materializados, o que normalmente ocorre, a título de representatividade, é uma crônica com “cara” de texto de opinião, ou, ainda que inacreditável, vice-versa.

Deparando, pois, com situações semelhantes a essa, temos a impressão de que é preciso parar tudo e recomeçar, mas sabe de que ponto?  Do ponto de partida, do ponto inicial, do zero, para simplificar. Por isso, mais uma vez se faz acreditado que o planejamento do professor não pode nunca ser concebido como algo estático, retilíneo, imutável, haja vista que o repensar de práticas didáticas se define como algo necessário, como algo que deve constantemente estar na “bagagem” do educador, atuando, assim, como uma espécie de “primeiros socorros”, rota de fuga, como tanto frisado por aí.

Dessa forma, propomos que tais práticas se voltem para o ensino das tipologias textuais, antes de qualquer inciativa, pois, se assim for, o aluno terá condições de saber fazer uso das estruturas linguísticas e discursivas de acordo com o gênero solicitado, sem dúvida. Como medida primeira, uma ótima sugestão é fazer uma seleção de trechos, sejam esses materializados pela descrição, narração e dissertação, consideradas como tipologias básicas, e reservar um espaço da aula para darem continuidade ao discurso antes iniciado, justamente para apreenderam de modo efetivo como se dá um posicionamento e outro, em se tratando de cada situação comunicativa, em específico. Vale a pena colocar em prática tal metodologia, pois a eficácia dos resultados parece algo certeiro.


Por Vânia Duarte
Graduada em Letras

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