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A literatura como fonte de atuação crítica

Estratégias de Ensino

Possibilidades se ampliam à medida que a Literatura, segundo as concepções do educador, caracteriza-se como fonte de atuação crítica.
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A Literatura, uma vez concebida como a arte da palavra, caracteriza-se pela forma na qual o artista assume um determinando posicionamento frente à realidade que o cerca, frente a uma postura ideológica determinada segundo um dado contexto, levando em conta aspectos históricos, políticos, sociais e culturais que norteiam as relações sociais de uma forma geral.

Partindo dessa premissa, ao propor a leitura de uma dada obra, não basta apenas determiná-la e aproveitá-la como mero requisito para obtenção de notas, haja vista, numa primeira instância, a problemática enfrentada pelo educador acerca da aquisição do livro, bem como numa segunda instância, revelada pelo fato de os educandos se tornarem escravos dessa necessidade (de se obter a pontuação necessária). Dessa forma, o que se constata é que, ao fazer valer tais princípios, o enriquecimento cultural, enfim, os benefícios proporcionados mediante a leitura deixam de se tornar prioritários – fato esse cujas consequências podem ser desastrosas, amplamente refletidas na escrita propriamente dita.

Nesse sentido, diante de uma proposta de leitura, faz-se necessário que os alunos atentem, em primeiro plano, na biografia do (a) autor (a), levando em consideração a época em que a obra foi escrita. Em seguida, de forma a se mostrar hábeis para “ler nas entrelinhas” (processo esse que nem sempre é possível), imprescindível é conhecer as posturas ideológicas de quem a escreveu, de forma a analisar significativamente os motivos pelos quais o (a) levaram a adotar esse ou aquele posicionamento.

Assim, tratando-se de uma realidade pedagógica, digamos assim, nosso intento é levar até você, caro (a) educador (a), algumas propostas que porventura poderão surtir efeitos positivos, tendo como subsídio o livro “Heróis dos Gerais”, cuja autoria é de Paula Saldanha.

O livro explora de uma forma bastante enfática o trabalho infantil, que, mesmo depois de passados tantos anos de um período que demarcou a história da humanidade, a Escravidão, ainda continua sendo atualíssimo, apesar das muitas conquistas hoje atribuídas ao trabalhador de uma forma geral. Assim, após se certificar de todo o enredo, um leque de possibilidades certamente irão se evidenciar, abrindo espaço para que a leitura da obra seja trabalhada de forma ampla. Algumas das propostas possíveis tornam-se materializadas por meio do artigo em pauta. Ei-las, portanto:

1- Ao lermos uma determinada obra literária, além de nos atentarmos ao enredo (história) propriamente dito, temos de estar cientes ao que se refere a outros aspectos. Dessa forma, cite:

- Título da obra;

- Nome completo do autor;

- Nome completo do (a) ilustrador (a);

- Nome da editora;

- Número da edição;

- Local onde o livro foi publicado;

- Ano em que a obra foi publicada

Agora que esses dados estão completos, faça um breve resumo da biografia da autora – Paula Saldanha.

2– A Lei Nº 8.069, DE 13 DE JULHO DE 1990, dispõe sobre o Estatuto da Criança e do Adolescente e dá outras providências, entre elas, as expressas abaixo:

Art. 4º- É dever da família, da comunidade, da sociedade em geral e do Poder Público assegurar, com absoluta prioridade, a efetivação dos direitos referentes à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao esporte, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária.

Considerando a história de vida dos irmãos, Tião, Bira e Zeca, você acha que todos esses direitos foram assegurados a eles? Justifique sua resposta narrando de forma resumida a trajetória deles desde quando começaram a trabalhar na fazenda.

3– Ainda falando sobre o ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente), vamos analisar o que diz o artigo que segue:

Art. 5º- Nenhuma criança ou adolescente será objeto de qualquer forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão, punido na forma da lei qualquer atentado, por ação ou omissão, aos seus direitos fundamentais.

Lendo-o, lembramo-nos de uma passagem expressa na página 10, a qual diz o seguinte:

“Nosso trabalho era botar formicida nas lavouras de soja e plantação de eucalipto. E os que ficaram lá, continuam até hoje fazendo isso.

Muita criança passa mal, vomita, fica com cólicas, dor de cabeça e tonturas. Mas o capataz da fazenda diz que isso é normal.”

Comparando o que diz o artigo e a realidade na qual viviam os garotos, argumente e retrate sua opinião sobre tudo isso.

4– Cansados e revoltados de viver trabalhando que nem escravos, os três irmãos planejaram algo que lhes reservaria outro destino ou faria com que se livrassem de vez por todas daquela situação indigna. Assim, procure relatar que plano foi esse.

5– Na página 13, bem no final dela, Tião, o irmão mais velho, revela-nos qual era o grande sonho dele e dos outros dois irmãos: queriam ser advogados ou médicos. Você, que tem uma vida totalmente diferente dos três personagens da história, também cultiva um grande sonho no que se refere ao seu futuro profissional? Qual e quais foram os motivos de sua escolha?

6– Durante a viajem para Correntina, à procura de melhores condições de vida, os personagens viveram algumas aventuras, algumas boas, outras más. Dessa forma, relate o que houve quando encontraram a imensa caverna do Morro Furado.

7- No capítulo intitulado Um ano de Escravidão, Tião, mesmo sabendo que esse período que tanto marcou a história da humanidade já passou, constatou que ele se encontra muito presente nos dias de hoje. Nesse sentido, qual a sua opinião sobre essa triste realidade?

8 - Tendo em vista que toda narrativa se constitui de um desfecho, seja esse cômico, triste, trágico ou alegre, como terminou toda essa história dos três irmãos? Qual foi a sua impressão sobre o final de todo o enredo?


Por Vânia Duarte
Graduada em Letras

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